quarta-feira, 28 de março de 2012

Brunocos entrevista: João Estrella


João Guilherme Estrella ficou conhecido pelo livro "Meu Nome Não É Johnny", e pelo filme homônimo, onde João é representado pelo ator Selton Mello. 
As obras retratam seu envolvimento com o tráfico de drogas e sua reabilitação após a prisão.
Conheça agora um pouco mais sobre João Estrella 


Como foi seu primeiro contato com as drogas? O que te levou a isso?
Com 14 anos, maconha. O que me levou a usar foi a curiosidade e atração pelo proibido.

Em que momento você decidiu revender drogas?
Eu não tomei uma decisão definitiva. Me ofereceram um pouco, depois um pouco
mais e aí aprendi o negócio e segui. Não foi uma decisão de forma pensada e se tivesse sido uma decisão, teria sido contrária.


Isso cresceu tanto, que você chegou a ser considerado um "barão do pó", sem uma mega estrutura. Como você administrava isso?
De forma caótica e mais desorganizada possível. A única coisa certa era honrar os compromissos e gastar os lucros.

Quando foi preso, a princípio você ficou com membros do Comando Vermelho. O que você sentiu e viveu nesse período?
24 horas de tensão durante 4 meses, praticamente sem ver o sol, com pancadarias constantes e a luta pela conquista de confiança para poder estar ali.

Depois você foi pro manicômio. Qual era a maior dificuldade em estar num ambiente assim? Teve medo de realmente enlouquecer?
Desde antes, na PF, percebi que manter a sanidade seria o duelo mais difícil, e no manicômio você tem que se testar o tempo todo para não sucumbir ao entorno.

Quando você se livrou das drogas, do tráfico...?
Assim que fui preso, em 95. A perda da liberdade muda o foco, e apesar
de no manicômio ter tudo, a retomada do seu destino, reconquistando a liberdade se torna
um objetivo bem mais interessante do que ficar se alienando com cocaína. Aquela é uma realidade que nenhuma droga te faz ter a sensação de fuga.


Como surgiu a ideia de lançar um livro?
Esse lance de livro eu acho que passa na cabeça de todo maluco que viveu demais. Quem realmente tornou isso real foi o Guilherme Fiuza, jornalista que em 2002 me propôs entrar em mais essa aventura.

Você esteve presente nas gravações do filme. De que forma você colaborava? O filme é um retrato fiel?
O filme retrata muito bem e o livro é o retrato fiel. Estive na gravação de várias cenas e foi muito bom. Pude colaborar um pouco conversando com os roteiristas e o Selton, quando era solicitado.

Em 2008 você lançou o disco "Meu Nome é João Estrella". Você sempre teve essa ligação com a música?
Sim. Estudei canto durante muito tempo e toco violão há 35 anos.

E sua vida atualmente? Continua trabalhando com música? Quais são seus projetos pro futuro?
Vou lançar um disco e um livro de poesias esse ano ainda. Faço palestras, shows e trabalho atualmente também com orientação e aconselhamento para todas as idades, mas
principalmente para jovens.


Para o João Guilherme Estrella, a vida é ... (?)
...e sempre foi maravilhosa.

João, obrigado pela atenção. Admiro muito sua história de superação e tudo mais. Te desejo todo sucesso. Um abraço!
Obrigado e tudo de bom pra você e para quem te lê. Abraços,
J*



Um comentário:

  1. Essa cena é mto engraçada, mto massa a entrevista com o cara do filme

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